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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

SOBRE A LEITURA - ENTREVISTA CURTA PARA TVB-RECORD (2014)

Qual é o perfil do leitor brasileiro?
Difícil definir em decorrência da chegada das novas mídias – a fase de transição, do manuscrito para o impresso para o digital, cria grande complexidade em caracterizar o leitor brasileiro. Demos um salto imenso (e rápido) do livro para a tela do celular nos últimos anos. em termos de leitores de “livros”, somos poucos em termos de hábito enraizado, condições para aquisição de obras, acesso a bibliotecas, tempo para ler, etc. A dívida com a promoção da leitura no Brasil é imensa – chegamos ao terceiro milênio, em meio às sociedades da informação e do conhecimento, com 13 milhões de analfabetos da palavra escrita e com mais de 40 milhões de analfabetos funcionais. 

Qual a importância da leitura para a construção do cidadão em sociedade?
A leitura permite o adentramento da pessoa no universo da escrita, com uma diversidade de bens impressos e virtuais. Fundamentalmente, a leitura garante o direito à informação – e muito das informações que correm pela sociedade é feita circular pela linguagem escrita. Por outro lado, para participação social, orientações de vida, tomada de decisões e  realização de ações em sociedade, o sujeito tem que carregar consigo diferentes competências de leitura e de escrita, que vão desde a lista do supermercado à fruição dos clássicos da literatura.   

O que a falta de leitura pode causar a curto e longo prazo?
Muitas consequências, dentre as quais a cegueira política e cultural pela não fequentação aos múltiplos textos que circulam em sociedade e que nos trazem os fatos do mundo. 

Por que ler faz bem?
Não acredito que leitura seja tudo na vida, digo de saída. Ler, para mim, é um instrumento para fruir textos que cumprem diferentes finalidades sociais. Por exemplo, temos, durante a nossa existência, de amadurecer a nossa razão e a nossa emoção, equilibrando-as sabiamente. A leitura cumpre propósitos em ambos os campos: lemos para nos informar (estudar, conhecer, analisar os fatos, etc.) e lemos para nos emocionar (fabular, fantasiar, sonhar, etc.). Portanto, a leitura é como uma extensão de nós mesmos para dentro dessa aventura complexa e maravilhosa que é o existir e nos humanizarmos incessantemente. Existem outros usufrutos da leitura, mas aquele que citei abrange todos os demais.


Respostas de Ezequiel Theodoro da Silva em 20 de novembro de 2014.

ANÁLISE DE TIRINHAS (38) POR QUE O POVO NÃO LÊ?


Na retumbante frase atribuída a Monteiro "Um país se faz com homens e livros", faltou um elemento: "leitura". Dessa forma, a frase deveria ser "Um país se faz com homens, livros e leitura". Faltou a prática cultural ou processo cognitivo que torna possível a produção da ideias pela interação entre os homens e os livros. 

Homens - ou cidadãos - temos mais de 200 milhões no Brasil. Livros temos à mancheia, visto que a nossa produção de livros impressos não é das piores e os governos, para a alegria dos editoras, dispende milhões de reais para comprar e distribuir livros gratuitos para as escolas. Isto parece significar que o livro em si de nada adianta se não forem dadas aos homens as condições objetivas para que possam interagir com livros.

Já se tentou explicar a falta de leitura no Brasil através de diferentes argumentações: étnicas, psicológicas, sociológicas, etc. Dentre elas é que o brasileiro, em função de sua etnia híbrida, tem preguiça de ler; sem dúvida, um inatismo maluco que mais ofusca do que esclarece a problemática.

No meu ponto de vista, políticas transformadoras de leitura nunca interessaram aos governos e aos poderosos - isto porque, se devidamente disseminada, a leitura pode levar ao questionamento da estruturas injustas existentes em nosso país. Neste termos, um Brasil verdadeiramente leitor poderia conduzir o país a mudanças radicais, banimento das oligarquias, questionar a razão de ser dos fatos e assim por diante. 

O quadrinho acima aponta para a questão da não-leitura no Brasil e a a força que os livros poderiam ter na mudança, para melhor, na vida do povo. Além disso, mostra que o "saber ler", condição que é adquirida via educação e escola, não existe na prática. Ou seja: livros podem melhorar a vida das pessoas, mas a leitura não é disseminada e assentada junto ao povo - uma contradição que acompanha a nossa história e que barra o acesso aos bens da cultura letrada, do livro à tela do computador. 

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Quem quiser saber mais sobre a força dos livros, da leitura e da literatura na esfera da transformação, recomendo que leia a obra EDIÇÃO E SEDIÇÃO, de Robert Darnton (Editora Cia. das Letras). 


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

RELAXLENDO (11) - AINDA SOBRE O CASO PETROBRÁS

Na medida em que a mídia pula rapidamente de um assunto para outro, cremos importante não esvaziar tão rapidamente a nossa memória no momento de votar neste domingo... Relembremos então!














quarta-feira, 1 de outubro de 2014

ANÁLISE DE TIRINHAS (37) O texto e o contexto


Uma das habilidades fundamentais de leitura é saber situar o texto no seu contexto (histórico, espacial, epistemológico, etc.). Na ausência dessa habilidade, a compreensão de um texto poderá ficar seriamente comprometida, mais confundindo do que esclarecendo o sentido atribuído pelo leitor. 

É principalmente em relação aos textos escritos em outras épocas históricas (que não aquela vivida pelo leitor) que saber relacionar o texto ao seu contexto é extremamente exigida. Pontos de vista, usos e costumes, estruturas sociais, vocabulário, expressões, etc que prevalecem em uma determinada época podem ser diferentes daqueles vividos no tempo vivido pelo leitor. Contextos de uso linguístico têm uma relação direta com o contexto cultural.

Pensadores como Malinowski, Halliday e Dell Hymes pesquisaram a fundo a noção de "contexto" e sua importância para a comunicação humana. E propuseram diferentes angulações para o entendimento objetivo dos tipos de contexto que entram em jogo durante uma interação ou leitura.

Leia a imagem abaixo e, em seguida, leia o texto que "explica" essa imagem para verificar quanto essa explicação aponta para o contexto da época, fazendo com que o sentido se amplie para o leitor. 

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Na tirinha do início deste reflexão, Samanta, conversando com uma amiga, utiliza o verbo "acertar" com dois sentidos diferentes, quais sejam:

acertar-se - harmonizar-se (parar de brigar)
x
acertar - atingir (por inferência, acertar um soco, um tapa, etc)

domingo, 7 de setembro de 2014

ANÁLISE DE TIRINHAS (36) - REPERTÓRIO E O NIVELAMENTO PARA BAIXO


A produção de sentidos nas interações de leitura somente é possível a partir do repertório do leitor. Isto quer dizer que a maior ou menor densidade das ideias resultantes da leitura é uma função direta dos elementos presentes no repertório de experiências  - culturais e linguísticas - do leitor.

A língua inglesa tem uma palavra específica para "repertório", qual seja a palavra "background" (reading background) que, numa tradução linear, significa "o chão anteriormente pisado". Assim, quanto mais amplo esse background mais facilidade o leitor vai encontrar para produzir sentido(s) aos textos. A qualidade e amplitude do background do leitor ainda interfere na velocidade das suas leituras.

Como pensamento e linguagem são os dois lados de uma mesma moeda, o repertório linguístico de uma pessoa é um dos fatores que possibilita o adentramento crítico nos textos para o cumprimento de diferentes finalidades sociais. Daí que um leitor com vasto vocabulário pode vir a ter mais facilidade durante as suas interlocuções de leitura, não precisando empacar a todo o momento a sua leitura a fim de entender as palavras tecidas nos textos.

A tirinha de Xaxado, que abre esta reflexão, mostra muito bem a questão de um repertório limitado para a leitura de bula, exigindo a adequação da linguagem que esse gênero de texto possa ser entendido. A crítica de Marieta é extramente lúcida mesmo porque a tradução ou vulgarização do texto para efeito do seu entendimento gera, ao mesmo tempo, uma questão de nivelamento para baixo do repertório linguístico, colocando Xaxado na condição de "menos esclarecido". Isto também remete a questões atinentes à prática de leitura entre as diferentes classes sociais.

Nada tenho contra a facilitação lexical, sintática ou semântica de textos vários de modo a permitir a sua compreensão pelos leitores. O problema vem à tona quando esse tipo de trabalho passar a ocorrer e a recorrer com frequência no contexto do ensino, instaurando uma rotina de dependência e de morte da autonomia dos leitores no que se refere ao conhecimento e domínio de um léxico mais variado e amplo, que estimule a busca autônoma  pelo significado das palavras que tecem e dão vida aos textos que circulam em sociedade.

sábado, 23 de agosto de 2014

CINCO CITAÇÕES PARA PENSAR OS LIVROS E AS LEITURAS


Não existe esse negócio de criança detestar ler; apenas existem crianças que ainda não encontraram o livro certo. - Frank Serafini

Quando você lê um livro, em algum lugar do mundo uma porta se abre para que entre mais luz. - Ver Nazarian

Lemos para saber que não estamos sozinhos. - C. S. Lewis

Uma casa sem livros é como uma sala sem janelas. - Heinrich Mann

Sempre imaginei que o paraíso será um tipo de biblioteca - Jorge Luis Borges