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sexta-feira, 10 de maio de 2013


ENTREVISTA PARA O PESQUISA MUNDI


Como é possível uma integração entre professores e bibliotecários na mediação de leitura?
Cabe sempre lembrar que, em termos quantitativos, existe um grande desequilíbrio entre o número de professores e o número de bibliotecários trabalhando em nosso país. Além disso, o escopo de atendimento de estudantes por parte de um professor é quase sempre maior do que o do bibliotecário. Mesmo considerando tais desnivelamentos, acredito que a integração e a aproximação desses dois profissionais deveriam acontecer mais intensamente quando das discussões voltadas ao Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola - no momento em que o trabalho pedagógico se estende para fora das paredes da sala de aula e penetra naqueles espaços onde as buscas por informação, as pesquisas de fontes diversas, as seleções de textos para o cumprimento de diferentes finalidades da leitura, etc. são contempladas como possibilidades concretas. Daí eu defender a ideia de que a dinamização, utilização, abastecimento, equipamentos, etc. de uma biblioteca escola deva ser um componente de destaque no referido Planejamento, juntando dinamicamente os professores das várias disciplinas com o(s) bibliotecário(s); dessa forma e bem sublinhado no PPP, a biblioteca deixa de ser um apêndice ou um órgão apenas agregado no ambiente escolar, transformando-se num componente ativo das dinâmicas de aprendizagem, no horizonte daquilo que a escola pretende ou almeja como finalidades primeiras para as práticas de leitura dos estudantes. Cabe sempre lembrar que existe uma dimensão biblioteconômica no trabalho pedagógico (do professor) e uma dimensão pedagógica no trabalho biblioteconômico (do bibliotecário) - ambos os profissionais trabalham ou deveriam trabalhar com o mesmo objeto, ou seja, o ato de ler - ato este que é um dos pilares do letramento dos estudantes e, talvez, de toda a aprendizagem, de todo o desempenho decorrente das atividades escolares.

Pesquisa recente aponta que quase metade dos docentes não leem livros em seu tempo livre, e que provavelmente esta mesma realidade se aplica aos bibliotecários. Existe alguma perspectiva para que este cenário chocante mude, já que estes educadores têm certa responsabilidade em transferir o gosto pela leitura aos alunos?
Sem querer lhe corrigir, relembro que educadores e bibliotecários não têm "certa" responsabilidade, mas sim uma "grande dose" de responsabilidade no que se refere à formação de leitores em qualquer sociedade letrada. Isto porque, em termos de responsabilidade social, esses dois profissionais são - ou deveriam ser - os mediadores privilegiados na introdução das novas gerações ao mundo da escrita e na condução das mesmas para que, através do trabalho pedagógico, elas se ambientem e se movimentem socialmente através do manejo de todos os bens que são próprios desse universo, de um simples anúncio de jornal às usufruição das obras literárias mais densas e sofisticadas. Particularmente, tendo em mim encarnado, há bastante tempo, o valor “esperança”, acredito que a sociedade, ao tomar consciência da divisão social do trabalho e da qualificação dos profissionais, saberá exigir mais qualidade da escola e, mais especificamente, daqueles mediadores cuja responsabilidade ou função é ensinar as competências, habilidades, destrezas, etc. que são necessárias ao manejo da escrita, em termos de recepção e produção.

Em sua opinião, há uma idade certa para os estudantes serem apresentados às novas tecnologias?
Tenho combatido a adultização das crianças pela sua sujeição às atividades reclusas das escolas. A sociedade da pressa e da velocidade deseja que a criança seja introduzida a atividades de aprendizagens escolarizadas cada vez mais cedo, sacrificando principalmente o conhecimento do mundo pelo brincar, pelo apalpar os objetos concretos e pelo interagir com os seus grupos etários de referência. Além disso, sou contrário a qualquer "babá eletrônica", isto é, tentar substituir o aconchego, a convivência e o diálogo familiar por uma tecnologia da moda (TV, computador, etc.). Portanto, garantidos, primeiro, o direito da criança em viver intensamente a sua infância e, segundo, o amor bem cultivado no seu contexto familiar, creio que a idade mais adequada para o usufruto das novas tecnologias pelas crianças será uma decorrência natural, sem que uma coisa seja uma substituição ou uma sublimação da outra. Também acho que máquina nenhuma é capaz de ensinar valores, igual aos seres humanos de carne e osso.

O que podemos fazer, para ter uma leitura crítica quando o recurso utilizado é a internet?
A leitura crítica, enquanto uma constelação de atos da consciência e de competências do leitor, pode ser utilizada junto a qualquer veículo de comunicação e/ou suporte de texto. Dessa forma, se bem aprendida como decorrência de ações de várias instâncias (família, escola, etc.), a leitura crítica poderá se aplicada à análise de todas as mensagens que circulam pelas veias de uma sociedade. Dessa forma, posso ler criticamente as mensagens virtuais da internet, sabendo separar o lixo que corre por através desse veículo; posso ler uma telenovela, sabendo quando ela deixa de atender aos requisitos da fantasia e passa a servir à ao mercado e à alienação; posso ler um artigo de jornal, sabendo distinguir fato de opinião e assim por diante. O importante, me parece, é que a leitura crítica seja objetivamente ensinada pelos organismos ligados à educação e recorrentemente praticada diante dos conteúdos que circulam pelos meios de comunicação. E sempre é bom lembrar que a crítica é, na verdade, um modo de ser no mundo - um modo de ser das pessoas que combatem as predeterminações, as verdades únicas, os desmandos, os processos de imbecilização em massa, etc. e procuram construir mundos saudáveis, democráticos, humanizados, civilizados, etc.

O que o professor acessa e recomenda na internet?
Confesso que a internet me serve hoje a diferentes propósitos e múltiplas finalidades: desde um número de telefone (que eu anteriormente consultava numa lista impressa, construída em ordem alfabética) até um percurso de viagem (que eu anteriormente consultava em mapas rodoviários e similares). Acho que as consultas permitidas pelo advento da internet são exponenciais, sendo difícil estabelecer os seus limites ou as suas fronteiras nos dias de hoje. Participo de algumas redes (Twitter, Facebook, principalmente) para facilitar a minha comunicação com amigos e familiares e através das mesmas divulgo algumas das minhas produções; o e-mail e o Skype substituíram quase 100 por cento dos meus telefonemas; fóruns de pesca esportiva me permitem o diálogo com amigos de caravana. E por aí vai! O que recomendar na internet? Realmente fica difícil dizer mesmo porque as minhas navegações atendem a um rol amplo de motivações, que vão da pesquisa para a produção de novos conhecimentos até os sites de guitarra-jazz em rádios norte-americanas. Além disso, venho mantendo dois potentes sites: www.leituracritica.com.br  e www.pescarte.com.br , com as suas respectivas revistas eletrônicas, que me dão um trabalhão danado para manter a periodicidade. Enfim, preferiria recomendar com base no critério da sazonalidade ou então no critério da área de conteúdo, sendo que hoje existe um conjunto imenso de excelentes sites que tratam das minhas paixões pessoais: a leitura, os livros, a pesca recreativa e a música. A minha lista de "preferidos" não é nada pequena e é sempre renovada à luz dos critérios acima citados.

Como o professor avalia a chegada do tablets às salas de aula?
No geral, sou a favor de todo e qualquer ferramenta que venha a somar valor ou qualidade ao processo de ensino-aprendizagem. Nestes termos, se essa ferramenta não for tomada como um fim em si mesmo ou como um modismo, mas sim como um instrumento enriquecedor da educação escolarizada, não vejo por que deva ser barrada ou impedida de ter a sua presença e o seu uso pelos estudantes numa sala de aula. Dessa forma, que venham os computadores, as lousas digitais, os tablets, os celulares, etc. para elevar o nível da educação brasileira, mas sempre como "meios" para a qualificação de todos os processos relacionados ao ensino-aprendizagem. E devemos cuidar para não cairmos num neo-tecnicismo, quer dizer num novo tecnicismo, enaltecendo as ferramentas, as técnicas, os laboratórios de informática, etc., secundarizando ou apagando os sujeitos que os manipulam e os usam para determinadas finalidades sociais - vivemos intensamente o tecnicismo na década de 1970 e essa experiência nada melhorou o trabalho das escolas brasileiras.

O livro digital tem conquistado cada vez mais leitores no Brasil, como o professor avalia a chegada dos e-readers como o Kobo e o Kindle?
Cada leitor tem o direito de escolher o suporte de texto que melhor lhe convier e com o qual se sinta melhor na consecução de suas práticas de leitura. Confesso que não conheço o Kobo. Comprei um Kindle, mas não me acostumei com ele e logo o vendi. E confesso também que tenho dificuldade muito grande para ler textos densos e longos na tela de um e-reader ou mesmo na tela do meu computador - prefiro o tradicional formato do livro impresso para ler romances e textos técnicos, inclusive porque gosto de marcar trechos, puxar ideias nas margens e coisas assim. Entendo que os nativos da internet tenham desenvolvido novas formas de ler e de interagir com os textos, preferindo muitas vezes os textos de natureza digital nos suportes que atualmente os acomodam - respeito essa preferência, pois, para mim, o importante é ler, ler de tudo, ler sempre, mas textos que valham a pena e somem ao processo de complexificação da subjetividade do leitor.  

O professor lê em formato eletrônico, aderiu a esta nova prática?
Acho que já respondi na pergunta anterior... Confesso que me adaptei bem aos textos eletrônicos, mas não consigo ter fluência de leitura com todos os gêneros de escrita via computador e internet. Ainda gosto de pegar as páginas impressas do jornal no meu café da manhã, gosto de levar livros impressos nas minhas viagens, gosto de ler uma receita no velho caderno da minha avó quando me arrisco numa culinária, mas também gosto de ler as minhas correspondências no meu Outlook Express, de falar vez ou outra com um amigo via Facebook ou Skype. Quer dizer, procuro acompanhar a evolução dos tempos, sem perder o sabor das coisas e as maneiras de ser que valem a pena manter na tentativa de desenvolver a uma convivência social  que seja ao mesmo tempo saudável, prazerosa e produtiva.

Recentemente o professor lançou uma editora, a Edições Leitura Crítica. Fale-nos um pouco sobre 
Fui Diretor-Executivo da Editora da Unicamp por mais de dois anos: uma experiência que me permitiu conhecer a fundo todas as fases de produção de um livro. Depois que deixei esse cargo e, mais adiante, de ter me aposentado da Unicamp, sempre mantive um desejo de possuir a minha própria uma editora. Três anos atrás me lancei como editor, apresentando as obras editadas pela Leitura Crítica numa livraria acoplada ao Portal Leitura Crítica. Já temos 15 obras editadas e esse trabalho me permite uma ocupação inteligente do meu tempo de aposentado e, ao mesmo, uma colaboração para com o avanço das produções científicas sobre a leitura em nosso país. É uma alegria imensa ver um livro sair do forno, depois de ter passado pelos processos de sua produção e agora prontinho para circular e dinamizar ideias entre os leitores.

sábado, 27 de abril de 2013


VAMOS AJUDAR O LUCAS?

Sou músico e atualmente estou passando por uma situação interessante. Passei na maior faculdade de música contemporânea do mundo, mas por motivos financeiros não estou conseguindo realizar meu sonho de estudar na Berklee College of Music. Estou em busca de apoio pra concretizar meu sonho. Segue matéria de jornal com meu projeto para que possam examinar com mais exatidão todo o processo. 

ESTOU REPASSANDO ESTA MATÉRIA PRA VOCÊS COM O OBJETIVO DE FAZER UMA CORRENTE. SE ELA FOR REPASSADA PARA PELO MENOS 10 PESSOAS DE INTERESSE JÁ AJUDARIA MUITO. A MAIORIA DAQUI JÁ SABE DA LUTA QUE ESTOU TRAVANDO PRA IR A BOSTON FAZER MINHA FACULDADE DE MUSICA. QUEM AINDA NÃO SABE O PROJETO, ESCREVA PARA MIM. QUEM TIVER ALGUMA DICA PARA EU REALIZAR O MEU SONHO, TAMBÉM AGRADECEREI MUITO. UM BEIJO A TODOS E ESPERO QUE POSSAM ME AJUDAR NESSA JORNADA. 

Lucas Rosário Giubilato
lgiubilato@hotmail.com


segunda-feira, 22 de abril de 2013

PALESTRA DE EZEQUIEL THEODORO DA SILVA - VENHA PARTICIPAR!!


No dia 30 de abril – das 10 às 12 horas - acontecerá na Biblioteca de São Paulo a palestra A leitura na transformação de si e do mundo, com o Prof. Dr. Ezequiel Theodoro da Silva, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).  

A palestra é gratuita e as vagas são limitadas. Os participantes inscritos receberão certificados. Para obter informações completas sobre o evento e fazer sua inscrição,INSCRIÇÕES ON LINE 

sábado, 6 de abril de 2013

UNICAMP - LIVROS PARA DOWNLOAD


A Biblioteca Digital da Unicamp acaba de disponibilizar para consulta pública 44 títulos da Coleção de Obras Raras da Biblioteca Central Cesar Lattes (BC-CL). Dentre os volumes digitalizados, o mais antigo foi publicado em 1559. Outro destaque é uma obra que trata da história natural do Brasil, publicada em 1648 e que traz diversas ilustrações de plantas, animais e cenas de trabalho no campo. “Estamos muito satisfeitos em colocar esse material à disposição de um público mais amplo. Por serem raros, esses livros eram acessíveis a um número muito restrito de pessoas. Agora, qualquer interessado, a despeito do lugar do mundo onde ele esteja, poderá consultá-los gratuitamente”, comemora o coordenador da BC-CL, Luiz Atilio Vicentini. 

De acordo com ele, a digitalização dos 43 volumes é resultado de uma parceria entre os sistemas de bibliotecas da Unicamp, USP e Unesp, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O trabalho foi realizado no Laboratório de Digitalização do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP. “A digitalização desses 43 livros é o primeiro passo para a estruturação de um laboratório de digitalização na Unicamp, dentro do projeto de implantação da Biblioteca de Obras Raras [Bora]. Graças ao apoio da Fapesp, nós já adquirimos dois scanners, no valor de 83 mil euros, que devem entrar em operação em março e dar continuidade à digitalização das cerca de 4 mil obras raras do nosso acervo”, estima Vicentini.

Segundo ele, o trabalho feito pelos profissionais do Laboratório de Digitalização da USP foi de altíssima qualidade. Tanto é assim que é possível ao observador analisar detalhes das ilustrações presentes no livro, como as ranhuras das folhas de um cajueiro ou as “estampas” da pele de uma jararaca. “Quero agradecer à colaboração dos colegas da USP, que fizeram um serviço irretocável”, atesta Vicentini.

Entre as obras raras que já estão disponíveis para consulta na Biblioteca Digital da Unicamp, a “Coleção Brasiliana”, composta por volumes escritos por viajantes dos séculos XVI ao XIX, chama a atenção pela riqueza de detalhes das ilustrações. Segundo o coordenador da BC-CL, essas obras certamente gerarão grande interesse por parte de pesquisadores das áreas das artes, história, economia, política e sociologia, entre outras. 

“Com essa iniciativa, a Unicamp supre a comunidade científica nacional e internacional de mais um instrumento capaz de criar e disseminar o conhecimento”, define. 

Acesso: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/list.php?tid=600  

Fonte: http://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2013/02/22/obras-raras-e-publicas 


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

IGUAL AO LIVRO, UM ROBÔ É SEMPRE UM MEIO 
QUE NUNCA SUBSTITUI OUTRO SER HUMANO

NOTA - Como estudioso da leitura, sempre combati a ideia de que os livros, enquanto um tipo específico de tecnologia, pudesse "substituir" a companhia humana e as interações entre os seres humanos. Entendo que precisamos de gente de carne e osso ao nosso redor para que possamos crescer saudavelmente e aprender as coisas do mundo, inclusive incorporar valores. A reportagem abaixo mostra um pouco dessa tese, com a qual concordo totalmente. Ezequiel Theodoro da Silva


 

Companheiros artificiais não substituem os reais

AGÊNCIA FAPESP, 19/02/2013

Por Heitor Shimizu, de Boston

De que falamos quando falamos sobre robôs?”, pergunta Sherry Turkle, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), parafraseando o célebre conto What we talk about when we talk about love, de Raymond Carver (1938-1988), sobre os altos, baixos, as sutilezas e incertezas dos relacionamentos amorosos.

Turkle é professora de Estudos Sociais em Ciência e Tecnologia e dirige um programa no MIT que pesquisa as relações do ser humano com a tecnologia. A autora de best-sellers científicos como The Second Self: Computers and the Human Spirit (1984) e Simulation and Its Discontents (2009) foi uma das principais atrações da reunião anual da American Association for the Advancement of Science (AAAS), realizada de 14 a 18 de fevereiro em Boston, Estados Unidos, quando falou para uma plateia de cerca de 1,2 mil pessoas.

Muito além do cinema, os robôs estão em linhas de montagem em fábricas, em explorações nas profundezas dos oceanos e realizando atividades perigosas para o homem, seja em vulcões ou em usinas nucleares com vazamento. Mas Turkle não está interessada nesses tipos de máquinas, e sim em robôs projetados para o relacionamento com pessoas.

“Estamos no que chamo de 'momento robótico'. E isso não porque construímos robôs merecedores de nossa companhia, mas porque estamos prontos para a companhia deles”, disse Turkle. Um cenário que traz otimismo, mas também riscos, de acordo com a cientista.

Turkle mencionou a revista Wired, cuja matéria de capa da edição de janeiro “celebrou como os robôs estão assumindo papéis em cada aspecto de nossas vidas”. Robôs na forma de brinquedos e bonecas, animais de estimação e enfermeiros para cuidar de doentes. Produtos com inteligência artificial não apenas nas tradicionais formas humanoides, mas imperceptíveis e ao mesmo tempo onipresentes, como o assistente digital Siri, que ocupa os mais novos iPhones e iPads e responde aos pedidos dos usuários.

“A mensagem da reportagem é típica de como o assunto vem sendo tratado há décadas. Trata-se de um argumento com duas partes. Na primeira, os robôs nos tornam mais humanos ao ampliar alternativas de relacionamento, uma vez que agora podemos nos relacionar com eles. Ou seja, eles seriam uma 'nova espécie'. A segunda parte do argumento é que não importa o que as pessoas façam, se um robô puder ser inserido naquele papel, o papel não é, por definição, humano. E isso inclui as tarefas de conversar ou de tomar conta de uma pessoa, por exemplo”, disse Turkle.

“Leciono no MIT, onde muitos concordam com essa posição. Isso significa que há anos alguns de meus colegas mais brilhantes têm investigado a questão dos robôs como companhia humana. Um de meus estudantes usou até mesmo a voz de sua filha para um robô-boneca que desenvolveu, o My Real Baby, um sucesso cuja propaganda destaca a capacidade de ensinar habilidades de socialização a crianças”, contou.

“Foi no MIT que conheci a ideia da robótica social, por meio da qual os pesquisadores imaginam robôs como professores, assistentes e melhores amigos para pessoas solitárias, jovens ou idosos. Em uma pesquisa que fiz sobre o tema, um dos entrevistados inclusive destacou que preferia poder ter um robô para cuidar de sua mãe idosa do que contratar uma pessoa desconhecida. Outra disse gostar mais da ideia de ter um robô do que uma babá na qual não confiasse”, disse.

Turkle considera que há muitas formas em que robôs ou sistemas de inteligência artificial podem e poderão ser muito úteis no dia a dia, mas alerta para o risco de se depender em demasia dessa possibilidade aberta pela tecnologia. Robôs são máquinas, não substitutos de pessoas.

“Então, de que falamos quando falamos sobre robôs? Falamos de nossos próprios medos e de nossas decepções conosco e com o próximo. Falamos de nossa falta de comunidade. De nossa falta de tempo. As pessoas sonham com robôs que resolvam seus problemas particulares e suas dificuldades de relacionamento”, disse Turkle.

“Mas eu vejo um caminho diferente. Espero que, ao falar sobre o equívoco de imaginar a salvação por meio da companhia de robôs, eu possa colocar uma sombra sobre esse encantamento. Talvez possamos nos dedicar ao potencial de como a tecnologia robótica pode nos ajudar de diferentes maneiras. Ou simplesmente nos dedicar a desenvolver esse potencial em nós mesmos. Minha principal restrição a respeito de amigos artificiais é muito simples: se gastamos tempo com eles, passamos menos tempo entre nós. Ou com nossos pais, filhos e amigos”, disse. 

sábado, 12 de janeiro de 2013

ANÁLISE DE TIRINHAS (19) - BAJULADORES


O analfabetismo não impede uma pessoa de pensar e aprender sobre os fenômenos do mundo. Exemplo disso é o filme Dersu Uzalá (1975), de Akira Kurosawa, cujo enredo mostra um chinês analfabeto da palavra, mas leitor e conhecedor da realidade, que "ensina" e guia um engenheiro numa viagem de prospecção  por dentro de uma floresta no norte da China. 

Na relação inversa, podemos encontrar pessoas "letradas" (alfabetizadas) que, mesmo dominando o ler e escrever, nada sabem sobre os fenômenos do mundo. Ou porque permanecem no mundo da palavra, sem fazer com esta encontre a sua correspondência com a realidade; ou porque pensam que a realidade é simplesmente palavra.

Mas a tira acima mostra uma terceira condição, ou seja, a do analfabeto que não lê nem a palavra e nem a realidade, afastando-se até mesmo da condição de "prático", que aprende a agir no mundo a despeito da sua condição (de analfabeto). 

Entretanto, esse duplo analfabeto (de mundo e da palavra) tem uma qualidade para poder sobreviver: a de saber bajular (elogiar), certamente praticando o puxassaquismo e outros expedientes que são próprios dos que fogem do trabalho    ou do labor. Trata-se do "puro verniz", que nada produz, nada sabe, nada transforma - vive parasitariamente, lisonjeia para obter vantagens principalmente daqueles que detêm algum tipo de poder. 

A bajulação acompanha a sociedade brasileira desde os seus primórdios, igual a um cancro difícil de ser extirpado. E na época das celebridades, tão presente na vida contemporânea, nos circuitos dos famosos sempre existe um séquito de bajuladores a desfiar elogios mesmo frente às ações mais banais, idiotas e inconsequentes das celebridades. 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

NOVIDADES LEITURA CRÍTICA - DEZEMBRO 2012





REVISTA VIRTUAL LEITURA CRÍTICA - Nº 16
"A leitura em tempos cibernéticos"
São sete seções contendo trabalhos relacionados ao tema da revista. Veja também as nossas recomendações de leitura.
Clique - http://www.leituracritica.com.br/rev12/capas/rev16.htm
Arquivo on line - http://www.leituracritica.com.br/pag_arquivos.htm

MEDIAÇÃO - upgrading
Esta sala pretende tão apenas o entretenimento, a descontração e a cultura geral dos professores, com dicas e algumas piadas para alimentar o riso.
Clique - http://www.leituracritica.com.br/mediacao/pag_index.htm

QUIZZ 
Um teste sobre o mundo da leitura, da literatura e da escrita. Nesta edição, vamos ver se você conhece o Prêmio Nobel de Literatura.
Clique - http://www.leituracritica.com.br/quizz/quizz016.htm

INVESTIGAÇÃO LEITURA CRÍTICA
"Convivência dos professores com a escrita atualmente"
Enquete (múltipla escolha) - http://www.leituracritica.com.br/pag_enquete.htm
Pesquisa (respostas curtas) - http://www.leituracritica.com.br/pesquisa11/questio/quest011.htm

LIVRARIA LEITURA CRÍTICA
Já inserimos os últimos lançamentos. Os preços continuam baixos para que você presenteie os amigos com obras de nossa livraria.
Acesse e receba a sua encomenda em casa.  http://ezequiel48.webstorelw.com.br/

FELIZ NATAL E UM 2013 COM MUITAS CONQUISTAS
"O NATAL é um período abençoado, que engaja a todos numa conspiração de amor. Portanto, conspire ao máximo nessa direção." 

PORTAL LEITURA CRÍTICA
Por onde a navegação é conhecimento e emoção!
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