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domingo, 29 de junho de 2014

ANÁLISE DE TIRINHAS (32) - A ESCRITA DOS ESCRITORES


Não somente pelo advento do internetês, estímulo maior para a escrita telegráfica e apressada de hoje, mas também pela paulatina morte ou afastamento - ou ainda, pior, a dispensa - dos revisores em jornais, revistas e editoras, a escrita vem sendo castigada, deturpada e amiserada de diferentes formas. O chamado "cuidado com o vernáculo", representando o rigor com a estruturação de diferentes textos, parece ser agora um fenômeno de tempos passados ou próprio dos nerds ou caretas.

A velocidade inerente às novas mídias (chat, fórum, email, etc.) e às redes sociais (Facebook,  Messenger, etc.) impele as pessoas a fazerem tudo com pressa, mesmo que esta, como diz o velho ditado, seja uma séria inimiga da perfeição. De repente, à moda de velozes máquinas, somos levados a dormir com pressa,  trabalhar com pressa, comer com pressa, ler com pressa, movimentarmo-nos com pressa, conversar depressa e, também, escrever com pressa, independente das situações sociais em que estamos inseridos.

Outro aspecto a ser aqui refletido diz respeito ao ensino-aprendizagem da escrita no âmbito das escolas. Em decorrência de uma estafante carga de trabalho ou devido a desconhecimento da matéria (ensino da escrita), os estudantes no mais das vezes não recebem quase nenhum feedback docente sobre aquilo que escreveram, reiterando assim  erros gramaticais, reproduzindo lógicas inadequadas de estruturação de parágrafos, repetindo gêneros ou estilos que não se coadunam com as situações de comunicação, etc. Daí que o binômio "coesão-coerência" quase sempre se apresente desconjuntado no momento da recepção-leitura desses textos.

Xaxado, na tirinha acima, fica surpreso com a reação de leitura de sua amiguinha. Essa reação, ao invés de ser positiva, relacionada com os sentidos e sentimentos  produzidos a partir da leitura de um texto de literatura, está relacionada com os descuidos do escritor ou do editor no momento de construir o livro impresso. Ainda bem que a menina não se deixa trair  com a leitura feita, tendo sido capaz de discernir o assassinato da escrita pelo autor. 

Se for verdade que a escrita de uma pessoa revela muito da personalidade dessa pessoa, seria interessante que levássemos em conta a necessidade de lermos e relermos aquilo que escrevemos no sentido de atender às demandas do código e da comunicação, além de internalizarmos de uma vez por todas que determinados textos que produzimos precisa, antes de ser enviado, passar pelo crivo de um bom revisor (e neste caso, o revisor dos programas virtuais não basta e nem é suficiente porque não lê as entrelinhas e nem carrega valores sobre as ideias veiculadas pelos textos). 

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