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terça-feira, 1 de abril de 2014

ANÁLISE DE TIRINHAS (28) - A LEITURA CRÍTICA FRENTE AO MERCADO


Existem muitas diferenças entre o consumidor e o cidadão. Ser um cidadão se coloca num patamar muito acima do ser consumidor. E o consumidor nem sempre se apresenta como um cidadão, situando-se no patamar do mercado ou do comércio. O cidadão é ainda investido de direitos e deveres dentro de uma sociedade historicamente situada. Enfim, o consumidor compra; o cidadão goza de direitos, vota e decide os rumos da vida social.

O organismo produtivo e as mercadorias, fundamentos da sociedade capitalista de mercado, empurraram o homem para um tipo de racionalidade que, aos poucos, fizeram com ele perdesse a sua autonomia. Falo aqui da racionalidade instrumental ou técnica, que, via ideologia, enfraquece a razão humana, colocando-o entre os polos da produtividade e destruição, dominação e progresso, prazer e infelicidade. Neste tipo de sociedade, em havendo a hegemonia do mercado, interessa o consumidor e nem sempre o cidadão.

A tirinha de Alberto Alpino (acima) mostra Samantha desconfiando - e até indiretamente denunciando - a presença de uma marca de mercadoria (alimento) dentro do seu horóscopo. Um fenômeno que vem aumentando cada vez mais nos mídia: as telenovelas escancaramente promovem as nomes dos bancos, dos carros, de produtos de beleza, etc.; os jogadores de futebol vestem camisas com logomarcas de companhias aéreas, bebidas, fabricantes diversos, etc.; festivais de música e de teatro passam a ter nomes de mercadorias.

A mesma tirinha ainda aponta para outras críticas de A. Alpino: a leitura de horóscopos (um vício de muita gente, mas sem nenhum pé na realidade concreta) e o fato de o horóscopo mencionar um produto para beber (ingerir, engolir, comer e se nutrir)... Ou seja, no mesmo quadrinho o autor talvez esteja querendo mostrar que "engolimos" asneiras que nos são impostas pelo mercado. Quer dizer: engolimos ou ingerimos o produto e a marca dele junto!

A caminhar no passo do mundo de hoje, não demoraremos a ser nós mesmos meros produtos a ser consumidos. Se já não o formos em muitos aspectos, diga-se. A imagem abaixo não diz tudo, mas informa muita coisa a respeito do que estamos falando, ou melhor, lendo. Seria até interessante que os leitores mais curiosos perguntassem a quem pertende a empresa Friboi...






Um comentário:

Professor Xavier disse...

Vejo o mesmo tipo de mentalidade meta-capitalista em muitos livros de educação também.