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terça-feira, 2 de julho de 2013

ANÁLISE DE TIRINHAS (20) - Da interpretação


Um dos aspectos mais instigantes dos processos de leitura está relacionado ao fenômeno da interpretação. Por mais que caprichemos na organização de uma mensagem escrita, nunca teremos certeza da maneira pela qual ela será interpretada pelo interlocutor-leitor. 

A escrita ou qualquer outro tipo de sistema convencionado de signos carrega consigo a dubiedade no polo da recepção. Isto porque não podemos prever os conceitos presentes nos repertórios dos diferentes leitores; além disso, os signos carregam consigo uma multivalência em termos de significação. O texto mostra, mas, ao mesmo tempo, oculta...

Muitas vezes, num diálogo, os interlocutores, ainda que façam um esforço para se entenderem, entendem coisas totalmente opostas. Conforme a circunstância da comunicação e o estado psicológico dos interlocutores, a interpretação pode vir a sofrer desvios maiores ainda.

No caso da tirinha acima, veiculando a leitura de elementos da natureza (céu e nuvem), a nuvem remete ao significado de proximidade de chuvas, enquanto  para outro o significado de comida (algodão doce). 

Se as contingências e diferenças de interpretação tornam a comunicação complexa e muitas vezes complicada, elas também constituem a maravilha do diálogo humano, permitindo o aprofundamento do sentido das palavras e de todas as situações de encontro humano neste mundo. Alguém já disse por aí que "interpretar é realizar-se, é esperar o inesperado" - acho que essa definição revela a maravilha aqui mencionada.
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- Mas o que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.
- E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante. 
- Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo. 
                                 Mário Quintana

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