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sábado, 12 de janeiro de 2013

ANÁLISE DE TIRINHAS (19) - BAJULADORES


O analfabetismo não impede uma pessoa de pensar e aprender sobre os fenômenos do mundo. Exemplo disso é o filme Dersu Uzalá (1975), de Akira Kurosawa, cujo enredo mostra um chinês analfabeto da palavra, mas leitor e conhecedor da realidade, que "ensina" e guia um engenheiro numa viagem de prospecção  por dentro de uma floresta no norte da China. 

Na relação inversa, podemos encontrar pessoas "letradas" (alfabetizadas) que, mesmo dominando o ler e escrever, nada sabem sobre os fenômenos do mundo. Ou porque permanecem no mundo da palavra, sem fazer com esta encontre a sua correspondência com a realidade; ou porque pensam que a realidade é simplesmente palavra.

Mas a tira acima mostra uma terceira condição, ou seja, a do analfabeto que não lê nem a palavra e nem a realidade, afastando-se até mesmo da condição de "prático", que aprende a agir no mundo a despeito da sua condição (de analfabeto). 

Entretanto, esse duplo analfabeto (de mundo e da palavra) tem uma qualidade para poder sobreviver: a de saber bajular (elogiar), certamente praticando o puxassaquismo e outros expedientes que são próprios dos que fogem do trabalho    ou do labor. Trata-se do "puro verniz", que nada produz, nada sabe, nada transforma - vive parasitariamente, lisonjeia para obter vantagens principalmente daqueles que detêm algum tipo de poder. 

A bajulação acompanha a sociedade brasileira desde os seus primórdios, igual a um cancro difícil de ser extirpado. E na época das celebridades, tão presente na vida contemporânea, nos circuitos dos famosos sempre existe um séquito de bajuladores a desfiar elogios mesmo frente às ações mais banais, idiotas e inconsequentes das celebridades. 

Um comentário:

Alessandra disse...

A dica de análise é maravilhosa.

Feliz 2013!!! e que venham muitas postagens interessantes como esta...