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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

ANÁLISE DE TIRINHAS (12) - ENSINO À DISTÂNCIA


Há bastante tempo o capitalismo selvagem vem produzindo os seus efeitos na área da educação brasileira. O fenômeno é mais saliente e visivel no âmbito do ensino superior, onde as faculdades particulares proliferam assustadoramente sem que os mecanismos de fiscalização e controle consigam diminuir ou cessar o escancarado comércio de diplomas e a formação zerada ou pela metade dos estudantes.

A educação à distância vem servindo como uma luva aos proprietários das faculdades particulares: se, no passado recente, havia a necessidade da presença física dos estudantes, comprovada através das chamadas ou das listas, essa "dor de cabeça" foi solucionada através as estratégias do ensino à distância, hoje regulamentado e permitido pelo MEC, além de altamente propagado como verdadeiros milagres da aprendizagem universitária.

Pelo que sei e aprendi, o ensino à distância pode ser extremamente eficiente, desde que os seus princípios e pressupostos não sofram distorções na esfera da prática pedagógica. Inclusive, para um país com dimensões continentais, por vezes é o único recurso para educar a população.

Ocorre que as faculdades particulares não seguem esses princípios. Por exemplo, ao invés de turmas pequenas, elas "entucham" os estudantes em turmas imensas. Ao invés de uma equipe de professores e formadores, elas atribuem tudo a um único professor, muitas vezes sem tempo e traquejo para o atendimento dos estudantes. Havemos de lembrar que o ensino à distância, em termos organização, é muito mais complexo e exiges uma série de recursos para ser bem sucedido.

Nestes termos, conforme mostra a tirinha acima, o ensino à distância, ao invés de servir a propósitos rigorosos de educação e conhecimento, serve apenas como mais uma arma das pseudo-faculdades para alimentar os seus lucros e, pior, para alargar ainda o abismo entre os estudantes ricos e pobres.

E uma análise crítica dessa problemática, vai mostrar que os cursos à distância raramente ou nunca são os de engenharia, medicina, mas sim de letras e pedagogia. E é assim mesmo que o magistério brasileiro segue sempre em marcha-a-ré, ao invés de ser melhorado como deveria.

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