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sábado, 20 de julho de 2013

LEITURA DE MUNDO - ELOGIO À IGNORÂNCIA E À BURRICE

Olhando o cenário dos 39 ministérios do Governo Dilma Rousseff (alguns maldosos dizem que falta somente mais um ministro para fazer jus ao velho ditado "Ali Babá e os quarenta ladrões"...), é fácil perceber que as "pessoas" dos ministros se distanciam sobremaneira dos objetos tratados em suas pastas. Em termos mais diretos, tais ministros pouco ou nada sabem/conhecem sobre os conteúdos para os quais devem ser elaborados políticas, programas e ações visando o atendimento de necessidades específicas. Assim, o preparo da pessoa para administrar a sua pasta se apresenta como um abismo, como um vácuo, como um zero à esquerda, como um "nada" - todos eles impeditivos de tomadas de decisão coerentes. 

De repente, num insight mais crítico, a gente pergunta: O que faz um Mercadante no Ministério da Educação? O que faz uma Martha Suplicy no Ministério da Cultura? O que faz um Crivella no Ministério da Pesca? O que esperar da atuação Aldo Rebelo no Ministério dos Esportes?  O que essas pessoas conhecem, para além do senso-comum, da historicidade dos objetos que administram? Qual o estofo ou esteio de saberes que carregam consigo para gerir e gestar políticas consequentes, transformadoras? E o nosso queixo cai porque nos conscientizamos de que essas pessoas estão totalmente despreparadas para cuidarem dos seus jardins e o que fazem, no máximo, é tocar o bonde com a barriga, logicamente recebendo gordos salários dos cofres públicos. 

Alguém poderia argumentar que a aliança política e/ou a afinidade partidária, sustentada pela lealdade, é o que realmente conta neste caso e que os ministros podem muito bem formar um quadro de assessores para lhes ensinar o que não sabem. Ora, se este for o caso como parece ser, o cargo é exercido por um analfabeto da matéria, dependente dos olhos dos outros e sem parâmetros de alcance, rigor e coerência para as movimentações de sua pasta. Neste caso, o saber não é poder; a burrice sim é o poder! Esse esquema não atinge apenas o primeiro escalão do governo federal: ele desce para o segundo e terceiro escalões, com apaniguados acobertados pelos cargos - fazendo pura pose - dirigindo e administrando no vazio por falta de repertório e conhecimentos prévios nas suas áreas de atuação. E, novamente, sendo pagos para "fazer as vezes", rodar protocolados da burocracia e administrar o que lhes vem de cima, ou seja, nada!

Quando a carteirinha do partido fala mais alto do que o preparo e a competência para cuidar criticamente das necessidades de uma pasta, quando "qualquer  apaniguado" serve para o cargo, quando as decisões fogem da análise pessoal dos administradores, o resultado é exatamente esse que vemos no Brasil hoje: reprodução da letargia, políticas emergenciais de curto alcance e permanência de estruturas retrógradas sem efeito nenhum na prática, na vida das pessoas. Os gritos de rua, tão altos em junho e julho, põem a nu esse tipo de realidade, ou seja, a de que estamos acéfalos nos maiores escalões de administração do Brasil, que a maioria dos nossos dirigentes é incapaz, por desconhecimento de matéria e de causa, de exercer o comando e tomar decisões coerentes.

Em síntese, estamos sendo governados pela burrice sem base e sem dúvidas, pela incompetência larvar e parasitária. Desgraçadamente, diga-se.  "Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar a todas por todo o tempo." - eis Abraham Lincoln nos abrindo os olhos outra vez...

2 comentários:

Walther Castelli Júnior disse...

O texto registra a entronização - porque é disto que se trata: de um investimento de poder de tipo monárquico, isto é, feito com base em critérios irracionais - da incompetência. Não é muito, talvez; mas de forma alguma é pouco. Fica dele a sugestão de mais um item da extensa pauta de mudanças a serem discutidas e implementadas na reorganização da política e do Estado brasileiro: a qualificação dos administradores da coisa pública. Obrigado, professor Ezequiel.

Ezequiel Theodoro da Silva disse...

WALTHER - E que nesse curso visando a qualificação dos administrações da coisa pública se gaste um bom tempo na compreensão crítica de conceitos totalmente esquecidos, como: BEM COMUM, INTERESSE E PATRIMÔNIO PÚBLICO. Sem esse entendimento, creio que todas as técnicas administrativas, por melhores que sejam, vão se perder no vácuo.