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terça-feira, 1 de novembro de 2011

UNGAMBIKKULA, MUNDIALIZAÇÃO DA MÚSICA

De início, a palavra ungambikkula me trouxe curiosidade e uma sensação de frustração por não saber o seu significado. Depois, após algumas incursões na antropologia, além de aprender que a palavra se refere a um belíssimo mito dos aborígenes australianos, vim saber que ela também nomeia um centro de cultura, uma proposta artística e um grupo musical de Campinas.

Resolvi conhecer tudo isso: o mito, o centro cultural e o grupo. Confesso que essa andança produziu em mim a mais refinada aprendizagem. Isto porque o mito fala da unidade indivisível de todos os seres do mundo (animal, vegetal e mineral), tão necessária nestes tempos de destruição ininterrupta da Natureza. A Casa de Cultura, em Barão Geraldo, revela sensibilidade na decoração e muito cuidado com a infra-estrutura tecnológica para a apresentação de espetáculos. Lanchonete e livraria com um acervo selecionado a dedo completam o espaço. E o grupo musical faz justiça ao nome, revelando altíssimo nível artístico.

O primeiro show que assisti no Centro Ungambikkula há alguns meses atrás trazia um duo de violão e violoncelo interpretando, entre outras peças, a Bachiana n° 5, de Villa Lobos. Minhas mãos chegaram a doer de tanto bater palmas; saí muito emocionado com o preparo musical dos dois músicos. Neste mês, assisti ao espetáculo "O Tempo dos Sonhos", com o grupo todo, e minha garganta chegou a doer com os gritos de bis que dei ao final da apresentação. Estas reações, partilhadas pelas duas platéias das quais fiz parte, mostram e comprovam que o Ungambikkula reúne virtuoses que solidariamente produzem música e espetáculos de máxima excelência.

Tenho dito que o melhor da música campineira não está nos palcos públicos da cidade, infelizmente. Essa música “se esconde” em bares, padarias, conservatórios, igrejas, clubes e/ou casas culturais que muitas pessoas sequer sabem onde se localizam. Pior: os grupos de excelência pouco ou nada recebem de apoio e incentivo do poder público, hoje muito mais preocupado com o chamado "gosto médio" orientado por canções de fácil degustação ou massificadamente repetitivas, com harmonias e letras banais. Exceção seja feita à Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, mas não seria hora de identificar os grupos musicais de qualidade, aproveitando o seu potencial para um trabalho em escolas e temporadas mais prolongadas nos teatros de Campinas de modo a lhes dar visibilidade? Que tal integrar o trabalho da Sinfônica com o desses grupos, incentivando o gosto musical e artístico de toda a cidade?

Cabe ainda destacar que a filosofia assumida pelo Grupo Ungambikkula toma a música como um fator de elevação do nosso espírito e como fator de cura. Por isso mesmo, a sua pesquisa envolve canções de todos os tempos, do mundo inteiro, desde orações cantadas por nações indígenas, passando ragas hinduístas, até chegar a cânticos modernos de grande expressividade. Pinçadas do arcabouço da boa música e adornadas pelos refinados arranjos do Grupo, essas peças nos envolvem e nos fazem sonhar, exatamente como deve fazer a verdadeira arte.

Em novembro, o Unganbikkula apresenta Clareira no seu centro em Barão Geraldo. Quem estiver querendo ouvir sonoridades alternativas, com rigor, peso e qualidade, fica convidado!

Espetáculo agendado para as 20h00min dos dias:

17 de novembro, quinta feira
20 de novembro, domingo
26 de novembro, sábado

Local, Informações e Ingressos

Espaço Cultural Ungambikkla
Avenida Santa Isabel, nº 1834
Distrito de Barão Geraldo, Campinas, SP
Fone: (19) 3288-1063

Videos: making-of & reportagens

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