Pesquisar este blog

sábado, 16 de julho de 2011

MORALMENTE INDEFENSÁVEL

Caso fosse um maluco que, sem evidências ou constatações, tivesse denunciado os crimes no âmbito da atual Administração Municipal, eu, na qualidade de cidadão campineiro, pacientemente aguardaria os resultados dos processos acionados pelo Ministério Público. Aguardaria também e de bom grado os movimentos de um grupo de vereadores que nunca se esqueceu de suas funções fiscalizadoras dos atos praticados pelo executivo. E ao final, poderia dar o braço a torcer e dizer, "Foi maluquice mesmo: nunca existiu a tal quadrilha na Prefeitura!"

Mas não, ocorre que não - o denunciante vem de dentro, foi homem de dentro do esquema, um sujeito que decidiu limpar a sua consciência através da apresentação de provas concretas contra a imensidade de corrupções na Sanasa, no Ceasa e, através de ramificações diversas, com diversas secretarias e organismos da municipalidade. A cada dia, as denúncias ganham novos contornos, fazendo escancarar os fatos e delineando o verdadeiro semblante dos envolvidos e dos indiretamente implicados.

A primeira dama - e esposa do prefeito, com ele morando em boa paz e diária comunicação - se colocava na posição de capo di tutti capi, dando as ordens para todas as áreas, forçando os pagamentos "de interesse", desviando recursos para a conta de sua empresa pessoal, etc. Tudo isto devidamente denunciado, concretamente comprovado, escancaradamente estampado na voz do denunciante e, pior, objetivamente transpirado nas atitudes tomadas antes, durante e após a intervenção da polícia na prefeitura, como foi o caso de um "habeas corpus" preventivo, por antecipação...

Desesperado, enredado até o pescoço por ser o responsável direto pela escolha dos seus "homens de confiança", o prefeito (vai com letra minúscula, pois não tem o meu respeito como cidadão) tenta agora levar para o campo político-partidário uma discussão que não pode sair do campo ético-moral, ou seja, do acato às condutas administrativas segundo os preceitos da honestidade, lisura, correção, interesse público, etc. e conforme estabelecidas na Constituição do Brasil. Nestes termos, à luz das evidências sobre a mesa e amplamente divulgadas pelos órgãos da imprensa, a permanência desse prefeito no cargo é moralmente indefensável.

E a cada dia que passa, na medida em que, com base nos fatos, o fosso moral se abre cada vez mais pela ausência de contra-argumentação convincente ou pelas reações entontecedoras dos membros dessa máfia. Quer dizer, com passar do tempo, o abismo ético-moral, gerado no bojo desse lamentável escândalo, fica cada vez maior, mais visível, mais nitidamente exposto aos olhos de todos nós. Isto porque a imoralidade, enquanto caminho político dos governantes, cresce cada vez mais com o cinismo, com a falta de caráter e o reverso da honra. Além, é verdade, da mais patente cara de pau ou falta de vergonha.

Nenhum comentário: